terça-feira, 14 de setembro de 2010

SM (LL)

Era Dezembro, o verdadeiro Dezembro que o mundo merece abundante d’aquele ar gélido que petrifica qualquer pessoa por dentro, e por fora. Aquela hora confesso não me recordar totalmente de como veria as coisas, talvez também geladas como o Janeiro mais frio, desde que me lembro. Não importa, por muito que até aquele momento todas as outras coisas me parecessem tristes, todas as cores mortas, obscuras, parece que foi totalmente inesperada a forma como tudo voltou a ser feliz, mesmo sem os pequenos raios de sol pelo meio das grandes nuvens existentes por aquela altura. O cheiro, não me esquecerei nunca pois penso que seja o mais agradável de se sentir… terra molhada. Não sei se de chuva, se encharcada de minhas lágrimas por depois de tanto tempo ainda não ter encontrado ninguém para me fazer sorrir como o fazia, quando inocente e pequenina, inconsciente, pouco lúcida, pouco culta e tudo o resto característico de uma criança. Talvez naqueles minutos algum sentimento me abrangesse também a mim, além das outras pessoas. Tudo o que eu tinha eram amigas, saudades de amigas, conversas, saudades de conversas, e esperança de me poderem trazer a segurança que traz os braços de um homem na nossa consciência, tudo com palavras perdidas no tempo e muitas vezes ditas sem razão só para ninguém se perder no meio do caminho, só para dar tempo de curar todas as feridas até podermos seguir em frente sozinhos.

Não sei que mais em pensava, já foi há um tempo… mas não foi coincidência. Acredito até hoje que as horas naquele dia estavam contadas, e todos os momentos, todas as razões para, interligadas. Não vejo outra explicação para esbarrar no teu sorriso vezes sem conta, até me aperceber que não eram apenas obras ao acaso. Tudo o que eu imaginava sobre nós tomava como uma ilusão… um simples beijo nunca duvidaria, já que esse era o meu desejo desde o inicio e pelo que todos os dias me confessas, também o teu. E ao saber disso hoje penso como as coisas decorrem com todo o sentido e como já referi milhares e milhares de vezes fico feliz por ter sofrido tanto até ao dia, pois tudo o que era realmente meu estava apenas a espera que eu abrisse os olhos para enxergar que estava tudo diante do meu ser mas ao mesmo tempo passava-me ao lado pois as minhas esperanças eram nulas, e a vontade de cair outra vez nas mesmas asneiras era muito pouca.

Felizmente, não foi assim. Talvez eu tivesse mesmo que dar de caras contigo todas essas vezes pra conseguir perceber o que tanto tempo me foi indiferente. Guardo até hoje a minha desculpa pra trocar palavras contigo naquele beco mais inoportuno onde nos podíamos ter encontrado. Acho que nunca te vi tantas vezes na minha vida, como dia 7 de Janeiro deste ano, por muito que convivesses comigo diariamente e eu soubesse que se procurasse ias estar no lugar mais obvio. Sei que não foi dai que me apaixonei, por muito espantada tivesse eu por estares a minha frente naquele lugar, mais triste, onde confessava a mim própria as minhas amarguras a espera da melhor pessoa para as partilhar… mas pensei de certeza porque razão tinhas que aparecer naquela altura. Mas esqueci. Juro que esqueci. Esqueci durante uns momentos até que em vez de me esquecer de ti, esqueci-me de tudo o que estava a fazer, de tudo o que estava a minha espera e de tudo o que eu temia para poder encontrar-te mais a frente, desta vez sem desculpa alguma pra te dar. Não, não corri, não, não estava ansiosa, mas queria ver-te. Só mais uma vez, queria que partilhasses comigo o que nunca deixará de me fascinar.

E foi então que te encontrei mais uma vez, mais solitário, mas não menos sorridente para a minha pessoa. Eu gostava, muito, da tua atitude. Da forma como me olhavas atentamente para me ouvir falar. Da forma como fixavas os teus olhos nos meus, fazendo com que deixasse de reagir a qualquer movimento, tal como um feitiço. E passou-se esse momento também, mais rápido do que eu esperava, mas já não me iludia com o facto de existir destinos traçados. Tu ficas-te ali, e eu segui. E era isso que poderia eventualmente estar escrito.

Mais uma vez, esqueci-me de ti, também de mim, e acho que me invadi de pensamentos alheios e sem piada, sem sentido, apenas para entreter a minha mente com alguma coisa. O meu pensamento sobre ti, tinha ido contigo conforme foste embora e não me lembro sinceramente do que senti na altura…mesmo sem a mínima paixão por ti havia algo de carinho que me envolvia nas tuas palavras. Só que isso ficou-se. Sim, ficou-se. E se eu pensar bem até acreditaria ter-se ficado para sempre ali.

Sem resposta outra vez, eu pergunto não a ti, que sabes tanto quanto eu sobre o que se passou em ambas nossas vidas, mas pergunto a alguém que saiba, se é que se pode tratar por alguém, o porquê de ter que duas hora a seguir estar precisamente num sitio totalmente diferente no meio de tantas almas indiferentes e desconhecidas, e ouvir-te gozar comigo meio de longe. Até podia ser o meu pensamento fixado na tua voz, mas por muito riso que hoje me cause, eu olhei para o lado e pela 4ª vez estávamos os dois, no mesmo sitio, a mesmo hora, no mesmo dia. E acho que não suportei o facto de ignorar o que me trazias, tanto que pedi a mim própria que não te levantasses daquela cadeira para ires embora porque tencionava voltar. E voltei. Voltei, e sei que trocamos mais uma dúzia de palavras desconhecidas, de ambas as partes. E acho que foi ai que referi que tantas coincidências não se podiam dar apenas pelo nome disso. Poderia ser outra coisa qualquer, mas nem tu nem eu esperávamos que fosse o que é hoje, e refiro-o com toda a certeza que o nome de tudo aquilo era e é o maior amor da minha vida. Deixei de trocar qualquer tipo de impressões com outras pessoas, pra troca-las apenas contigo. Para passar horas as mensagens a discutir opiniões e feitios e assim se passaram 2 dias. Apenas isso. 2 dias.

Por iniciativa, minha ou tua, não me lembro, não interessa. Foram aquelas escadas que nos uniram e onde ficarão para sempre guardados grandes momentos da nossa relação, do nosso principio, (e espero eu também que, das nossas vidas). E disto eu lembro-me com todo o prazer, descongelada por dentro e por fora, o único frio que senti foi dentro do estômago como se fosse o meu primeiro beijo. E era. A forma como me agarras-te foi algo fora do que eu estava habituada. Nunca me teriam demonstrado tanto amor apenas com as mãos na minha cintura, como tu o fizeste. E foi ali, no inverno, verdadeiro inverno, com todo o meu corpo petrificado com a tua atitude que eu descongelei os meus pensamentos, que eu tive a certeza que a terra estava molhada da chuva e não mais de lágrimas. Que eu pude sorrir por alguém e sentir-me segura a meio dos braços do homem que eu gostava para poder partilhar qualquer tipo de momento de carinho e paixão, amizade. Por muito que o destino nos reserve, bom ou mau, juntos os separados, um dia, não sei… tenho a certeza que estes dias nunca me saíram da cabeça. A forma como, já tinhas aparecido na minha vida e eu nunca te tinha visto, os teus lábios nos meus e o meu primeiro beijo, com todo o amor que poderia ter para dar. Tudo isto não esta escrito no futuro, esta tudo guardado na minha memoria onde vou sempre com certeza recordar com o maior sorriso do mundo, quando ainda o faço hoje ao acordar e pensar em ti.
Sim, eu amo-te pode parecer exagerado, tanto como pode parecer tão pouco ao lado de tudo o que já passamos, ao tudo o que já senti e sentirei por ti. Mas não me interessa, palavras tão pouco me aquecem como me arrefecem. 

Acho que todos os meus olhares te demonstram tudo o que rodeia o meu, o teu, o nosso pensamento.

Tenho dito meu amor, hoje e sempre,

contigo ou semtigo, vou recordar-te como uma das melhores coisas da minha vida. 

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